Bom Jesus do Monte

Lugar incontornável da geografia de Braga, o santuário do Bom Jesus do Monte é importante, não apenas pelo seu valor espiritual e religioso, mas igualmente como pulmão verde da capital do Minho.

Se boa parte da mata do Bom Jesus e do vizinho Sameiro é dominada pela monotonia do eucaliptal e do acacial, em redor do santuário do Bom Jesus a biodiversidade arbórea é maior, com magníficos exemplares da flora nacional e da flora exótica, alguns dos quais classificados como árvores de interesse público.

Nas espécies arbóreas autóctones dominam os alvarinhos (Quercus robur L.), os plátanos-bastardos (Acer pseudoplatanus L.), os sobreiros (Quercus suber L.) e os pinheiros-mansos (Pinus pinea L.), encontrando-se ainda exemplares de espécies ameaçadas, como é o caso do teixo (Taxus baccata L.).
Nas alóctones, para além dos omnipresentes plátanos (Platanus sp.) e tílias (Tilia sp.), destaca-se a coleção de faias (Fagus sylvatica L.) e de sequóias [Sequoia sempervirens (D. Don) Endl.].

Sereno nas alturas, olhando a cidade por um canudo, o Bom Jesus é amigo das árvores e de quem desfruta dos seus encantos, em particular nas ensolaradas tardes de Verão. Já no seu tempo escreveu Camilo Castelo Branco:

Estas árvores são minhas amigas há vinte e sete anos.
Vim hoje aqui despedir-me delas: creio que para sempre me despeço.
Tenho que abraçar as mais diletas e confidentes: umas que já eram velhas quando, em minha infância, as vi; outras, que eram tenras então, e agora bracejam frondes de luxuriante mocidade. Eu já encaneci; e elas verdejam exuberantes de seiva.
Faço trinta e oito anos, inclinado à sepultura; e elas têm três séculos que viver, trezentas primaveras para se vestirem de galas novas. Meus netos virão saborear-se em vossas sombras. ó carvalheiras, ó verdes pavilhões que me cobristes nas máximas tristezas e alegrias de minha vida!
Seria engodo ao riso andar-me eu aqui abraçando árvores, se alguém me visse.

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